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NÃO EXISTE ¨MARCHA¨ PARA QUEM REALMENTE NÃO SE PERCEBE EM ESTREITEZA.

NENHUM CORPO ABRIRÁ MÃO DE SEUS  INTERESSES PARA A ALMA SEM QUE ESTEJA PROFUNDAMENTE CONSCIENTE DE SEU DESCONFORTO.

Quando o corpo está exposto à estreiteza, e quando está consciente de que seu desconforto provém dela, surge então a possibilidade de acampar em frente ao Mar.A partir desse lugar de impropriedade e angústia, olhamos o horizonte. Chegar até ele não será mais um processo do corpo, mas da alma. Há uma entrega, um despojamento nessa margem, que não só desnuda o corpo como também o modifica. Essa metamorfose nos assusta com a possibilidade de estarmos abrindo mão de nossa integridade e identidade.

”Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.’

(Fernando Pessoa)

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