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“Meus primeiros passos na direção do Todo misterioso foi como uma criança que se relaciona com os pais, busquei um Deus Pai e um Deus Mãe, acreditei como uma criança, esperei, confiei e amei como uma criança, mas também senti medo, temi saber mais. Passei a pedir ajuda aos Santos; me percebi negociando, firmando alianças, equilibrando meus direitos e meus deveres, o que tenho que dar e o que tenho que receber. Um vazio se instaurou dentro de mim e senti a necessidade de ser amada pelo Todo misterioso. Dediquei-me como uma noiva se dedica ao amado, esperando o grande dia da união. Então, tempos depois, me percebi questionando a Sua obra e busquei saber o que não estava bom no mundo, apontei os erros, procurei arduamente o que precisa melhorar e julguei esse mundo não conveniente. Surgiu aí a necessidade de salvação, e salvar também outras pessoas.
Confusa ,olhei para cima e pedi, por mim e por todos, e o movimento religioso iniciou-se, foi como escalar uma montanha muito alta e subir às alturas. O vale é povoado, mas conforme se sobe, mais solitário se sente. Vai se distanciando de todos, não é mais como uma criança ligada à mãe, vai abrindo-se para a amplidão do espaço. Isso é um certo modo de morrer, e tem grandeza. Quem esteve no alto, totalmente só, ao descer para o vale traz luz em seu olhar. E finalmente um silêncio apoderou-se do meu ser e aconteceu…, sou um rio caminhando para o mar.”
O AMOR
Olhei nos teus olhos, enxerguei tanta dor
Ouvi tua respiração, curta e angustiada
No teu coração, encontrei muito medo
Vi o teu corpo em copas fechado
E a tua dor me inspirou compaixão
A tua angustia acendeu-me a calma
O teu medo me encheu de coragem
Para poder clamar tua alma!
E diante da sombra da morte
Reconheci teu grande valor
Como és imensamente mais forte
A vida movida de amor!



